sexta-feira, 21 de junho de 2013

O buraco é bem mais embaixo


Tenho acompanhado nas últimas semanas a quantidade de informações que "pipocam" sobre essas agitações sociais. Até agora, pouco me pronunciei. Fui acompanhando com os olhos da mídia de fora, como a Deutsche Welle (DW) e até cheguei a participar de uma mobilização, apenas, na Av. Paulista. Imaginava não estar vivo a ponto de ver a quantidade de pessoas juntas, mobilizadas em busca de um (ou vários) ideais, independente de quais fossem. Seja o ônibus, as PECs, a corrupção, a Copa, saúde, educação, segurança... Whatever. Como todos sabem, há os manifestantes, os baderneiros e os que mal sabem o que estão fazendo ali (fora os que vão só pra tomar cerveja e um ou outro saqueador). Tem gente engajada, tem gente séria, realmente. Tem gente doida e tem os sem-noção. Todos juntos.

Creio que foi um grito de alerta. E não houve hora melhor, já que os holofotes do mundo estão apontados para cá, em virtude de um "ensaio" para o que há de vir em 2014. Nosso país "implorou" por um evento dessa magnitude, em 2010. Não digo nós, mas o governo, em busca de visibilidade e apreço internacional. Ganhou o abacaxi? Agora descasque-o! Mas está fazendo isso sem ter feito a lição de casa, que é prover algumas necessidades básicas.

Mas olhando as entrelinhas nos portais de notícias, ainda acho que um problema muito grande (e pouco citado por aí), é o combate à inflação. Esse "monstro", que muita gente mais nova desconhece, está aí de volta. Corremos o maior risco de uma recessão econômica que pode até tirar nossos empregos e nos deixar à miséria, retrocedendo décadas de um pseudodesenvolvimento. Quem sobreviveu à era Sarney, quem passou pelos planos Collor, Verão I, Verão II e URV sabe bem o que é sair de casa, comprar um produto hoje, sabendo que amanhã (isso mesmo, no dia seguinte), ele estaria custando quase o dobro. Andava-se com milhões de cruzeiros na carteira, mas se comprava um saco de pó de café. (sim, eu era pequeno, mas meus pais contavam como era a vida em épocas de estagnação).

Nosso governo atual está repetindo manobras desastrosas que estão levando nossa economia pro ralo: concessão de crédito fácil (todo mundo parece rico, porque o governo deu oportunidades, mas esqueceu a impressora de dinheiro ligada), baixíssima taxa de juros, o que fez muita gente se endividar facilmente e a distribuição compulsória de bolsas-auxílio para muitas pessoas em condição de trabalhar.

Com inflação, o rico fica mais rico. O pobre, só desce degraus prum abismo e a classe média rareia. Um país você constrói com atitudes, mas como vivemos em uma sociedade do consumo, uma moeda forte também é sinônimo de prosperidade. Seria uma base pra muita coisa.


Por Américo dos Santos.

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